sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Artigo: Casais usam cada vez mais redes sociais e torpedos para terminar relação

Levando em conta a discussão sobre a humanização no relacionamento ente clientes e prestadores de serviços da matéria do post anterior, apresento um caso que exemplifica o relacionamento social entre os indivíduos comuns, aplicado a plataformas de comunicação que vêm ganhando mais espaço conforme a plataforma de diálogo cara-a-cara perde o seu próprio espaço: as redes sociais e celulares:

Casais usam cada vez mais redes sociais e torpedos para terminar relação


Ana Ikeda Do UOL, em São Paulo - 19/05/2014 - 06h03

Terminar um relacionamento amoroso nunca é fácil, mas parece ainda mais doloroso quando você é vítima de um "fora digital". A prática será cada vez mais comum (e aceitável) com as gerações mais novas se relacionando intensamente pelas redes sociais e aplicativos. Enquanto essa "nova era" não chega, há modos mais ou menos rudes de terminar. Segundo psicólogos, quanto maior a exposição na internet, maior é a dor causada a seu ex.
"A tecnologia não traz nada de novo, só potencializa o término do relacionamento. Vai doer sempre, porém digitalmente dói mais porque muitas vezes você não ouve nem a voz do outro", explica Luciana Ruffo, psicóloga do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) da PUC-SP.
Em comum, o autor do "fora digital" é aquele no relacionamento com maior dificuldade de lidar com conflitos. "Para quem dá o fora, fazer isso virtualmente é mais fácil. Pela internet, ele não vai precisar lidar com choro, cara feia nem discussão."
Ainda assim, segundo a psicóloga, quem está abaixo dos 25 anos já tende a achar "mais normal" terminar um relacionamento por meios como Facebook e WhatsApp. Isso porque elas já consideram a internet uma extensão das próprias vidas. "Os mais velhos veem a internet com uma conotação diferente. Para eles, ela é mais um 'canal de comunicação'", explica.

Estudos

Ilana Gershon, professora da Universidade Bloomington em Indiana (EUA), é autora de um estudo que ilustra essa diferença para gerações mais velhas. O levantamento foi feito entre 2007 e 2008, época em que Facebook e Twitter já eram populares entre jovens, mas ainda não desempenhavam um papel central na vida deles.
A pesquisadora entrevistou universitários com idade em torno de 20 anos naquela época (hoje na casa dos 30 anos), que afirmaram ter ficado com raiva ou ofendidos após levar o "fora digital". "A grande maioria das pessoas [daquela época] me disse que terminar de forma online era algo covarde e que a única maneira aceitável seria terminar pessoalmente", lembra Ilana.
O estudo deu origem ao livro "The Breakup 2.0: Disconnecting over New Media" ("O Término 2.0: desconectando-se pela nova mídia", em tradução livre), ainda não lançado em português.
Outras pesquisas mais atuais (porém mais "informais") já demonstram uma maior tolerância à prática, embora a dor de ser vítima dela ainda persista.
Uma delas foi feita pela Vouchercloud.net com 2.712 pessoas entre 18 e 30 anos. Ela mostrou que 56% dos entrevistados terminaram via redes sociais, mensagens de texto ou e- mail no último ano. Porém, três em cada quatro deles disseram que ficariam aborrecidos se alguém fizesse o mesmo com eles.

"Barraco digital"

Embora a aceitação da prática varie entre gerações diferentes, a maneira como ocorre o término digital ainda é decisiva para causar maior (ou menor) dor ao ex. Enquanto uns aproveitam a "facilidade" em dizer adeus por mensagens privadas em redes sociais e aplicativos, outros escancaram para o mundo o fim da relação.
"Terminar é terminar. No fim do dia, você não está mais em um relacionamento. Mesmo assim, as pessoas frequentemente se concentram em como o término ocorreu [em vez dos motivos]", afirma a professora Ilana.
São os "barracos digitais": a mudança surpresa do status para "solteiro" no Facebook, o post no Instagram com o ex "cortado" da foto ou o tuíte anunciando a separação devido à traição do parceiro.
"Isso não é um término, é uma exposição. É avisar ao mundo que 'estou solteiro'. Mostra que quem termina não está muito preocupado com o outro e quer atingi-lo de alguma forma", avalia Luciana, psicóloga do NPPI.

É o fim

Terminar digitalmente pode ser mais fácil do que presencialmente, mas também há contras nessa prática. A "cicatrização do coração" do seu ex tende a ser mais rápida se o fim ocorre cara a cara isso pode ser muito mais vantajoso para quem não deseja lidar com pedidos de segunda chance ou "barracos" (digitais ou tradicionais mesmo).
"Quanto mais presencial esse processo, mais fácil ele será entendido por quem tomou o fora", destaca Luciana.
Quando o fim chega, é recomendável cortar as relações digitais com o ex, ainda que isso seja difícil em alguns casos (por exemplo, o casal tem muitos amigos ou colegas em comum nas redes sociais).
"O ideal é não saber mais dessa pessoa até 'cicatrizar'. Quanto menos eu sei, menos eu sofro. Você não fica sabendo se o ex saiu com outra pessoa, o que anda fazendo da vida, evitando uma série de ligações e fantasias na sua cabeça que nem sempre são verdades."


Varejo precisa humanizar relacionamento com os consumidores


Carlos Ferreirinha - Especial para o UOL - 17/05/2014 - 06h00


É simplesmente fascinante perceber que o maior evento de varejo do mundo, a NRF (promovido pela maior associação do varejo mundial), realizado em janeiro de 2014, teve em quase todas as palestras proferidas um foco quase dominante na humanização.


Diversos palestrantes repetiram continuamente a necessidade de valorizar o indivíduo e de empoderar o staff das lojas para servir o cliente de forma genuinamente diferenciada. Como os hábitos de consumo foram fortemente alterados e, com isso, as expectativas foram elevadas a patamares jamais esperados, as empresas precisam ir além da relação produtos e serviços.


Personalizar, customizar e entender de uma vez por todas quem realmente é o seu cliente foram expressões frequentes nos debates e palestras da NRF. O mundo começa a perceber que o nível extraordinário da qualidade dos serviços e produtos foi alcançado por muitos, e aquela que foi a busca constante nestas ultimas décadas atualmente é apenas uma commodity (produto básico).

São muitas as empresas que, através de seus produtos e serviços, conseguiram encantar, fascinar e surpreender clientes nestes últimos tempos. É chegada a hora de ir muito mais além.

Relacionamento

Tenho dito muito este ano que a solidão tem gerado a necessidade de socialização. São muitas as pessoas que acreditam se relacionar com muitas pessoas, mas somente nas redes sociais. Falta o contato humano.
Os estudos apontam dados alarmantes não somente nos EUA, mas no mundo todo: as pessoas estão cada vez mais sozinhas, e isso também explica o forte crescimento da importância e da relevância das redes sociais e também do comércio eletrônico. Mas já se dizia que "a toda ação equivale uma reação na mesma proporção".

Vale aqui destacar o brilhante filme que concorreu ao Oscar deste ano, "Her", do cineasta Spike Jonze, uma brutal análise e retratação dos tempos cibernéticos em que vivemos. Essa suposta solidão gera a vontade e, muitas vezes, a necessidade das pessoas serem tocadas por outras pessoas.

A socialização, que demanda um contato mais humanizado nas relações, gerou novos padrões de shoppings, como o The Grove (localizado em Los Angeles, EUA). O centro de compras obteve resultados acima da média enquanto varejo tradicional, além de utilizar o conceito de hospitalidade como possível diferenciação estratégica no varejo em si.

Sim, hospitalidade! O termo oriundo da hotelaria, e muitas vezes dos centros hospitalares, levado ao varejo. O desafio de fazer com que o cliente seja bem recebido por completo, sentindo-se bem e seguro.

Temos que ser contadores de histórias, criando as devidas conexões que emocionem o cliente. Os relacionamentos precisam ser verdadeiramente relevantes. Conhecer o cliente e o detalhamento do seu perfil passa a ser vital. Precisamos, mais do que nunca, irradiar alegria, confiança e otimismo.

O brilhante Rick Caruso, fundador do shopping The Grove, citado por mim acima, disse algo revelador: "O futuro será baseado em alguma coisa muito antiga". Temos que nos relacionar por completo com as pessoas. Temos que emocionar os clientes. O varejo precisa, além da tecnologia, de processos, produtos extraordinários e conceitos arquitetônicos arrebatadores. Precisamos dialogar emocionalmente com os clientes.

Humanização. Não seria esse um dos principais e mais relevantes diferenciais no Brasil? É sabido e assumido que o brasileiro gosta de gente, gosta de sorrir e que sorri com a alma.

Se temos esta humanização em abundância - tanto falada na NRF, e no momento sentida como ausente no mundo - nos falta, a meu ver, mais foco nos processos no varejo brasileiro. Ou seja, podemos aprender muito de processos com o mundo, e esse mundo poderá aprender muito conosco sobre como tocar pessoas.

Quem sabe um dia não seremos nós que estaremos ensinando o mundo o que é humanizar os relacionamentos, o atendimento e a interação com as pessoas no varejo?

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CARLOS FERREIRINHA
45 anos, é fundador e presidente da MCF Consultoria, especializada em mercado do luxo.
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Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2014/05/17/varejo-precisa-humanizar-relacionamento-com-os-consumidores.htm>